Duas palavras viraram moda ultimamente: coworking e home office.
Talvez não seja coincidência que as duas são palavras vindas do
inglês e que parecem prometer alguma coisa inovadora e definitiva. E
que promessa seria essa? Eficiência, felicidade, tempo de lazer
estendido, facilidade de locomoção, vida pessoal mais integrada?
Claro que todas essas palavras tem caráter positivo, e parece que
elas, de alguma forma, induzem a pensar que o local de trabalho
pode contribuir para melhor produtividade, criatividade e
compromisso. Sim, local de trabalho pode sim contribuir para uma
vida melhor e mais produtiva, contudo me pergunto se isso seria real
ou se não seria somente mais uma moda até a moda seguinte. E isso
remete, diretamente, à motivação que todos buscamos nas nossas
equipes.
Por mais que se esforce para ter ambientes felizes, alegres,
descontraídos, etc, o fato é que a motivação extrínseca, aquela que
vem de fatores externos, tem vida curta. Qualquer forma de
motivação de fora para dentro, aí incluído as remunerações, férias,
bônus, elogios, etc, tem um prazo de validade definido. E pior ainda,
na próxima rodada a oferta tem de ser maior, para poder gerar o
estimulo que a última oferta gerou. Por outro lado, a motivação
intrínseca, aquela que vem de dentro de nós mesmos, tem efeito de
longo prazo, nos enriquece, nos faz perceber porque viemos ao
mundo, e me torna sujeito de nós mesmos, não objeto de outras
motivações. A motivação que vem de dentro está ligada a valores
profundos e ao fato de saber que você pode contar consigo mesmo,
por piores que sejam as condições. Essa motivação não gosta
inclusive de ser “poluída” por estímulos externos. Querem um
exemplo? Se um garçom percebe que você está num dia ruim, já te
conhece e te traz uma bebida por conta da casa, ele bancando e sem
nenhum interesse financeiro, somente porque quis mostrar um
apreço por você, é uma motivação intrínseca. Se você não percebe o
que está em jogo e reage oferecendo uma gorjeta maior para ele por
conta disso, você o está ofendendo. Você está dizendo,
indiretamente, que a atitude dele tem um preço monetário, e não
afetivo, e isso não tem preço (como no cartão). Ele teve a ideia,
pensou no melhor para te oferecer, bancou o custo, com a finalidade

de você ter uma experiência humana. E você a transformou num
negócio.
E o que isso tem a ver com coworking ou home office? Simples, não
esperem motivações maiores e permanentes só por isso. Se a
preocupação da empresa é motivação interna de cada um, pergunte a
cada um se este movimento vale a pena. Pode ser, para muita gente,
desmotivador trabalhar num espaço coletivo, como também pode ser
desmotivador trabalhar em casa. Ou o contrário, pode ser altamente
motivador, dependendo da pessoa. É muito válido que as empresas
procurem novas formas de trabalho, integrações com outras
comunidades e facilitar a vida de cada colaborador. Mas trata-se
somente de uma evolução nas relações de trabalho e não milagres
em relações que nunca chegaram a enxergar o ser humano que está
por trás de cada colaborador.
Talvez o equívoco seja tentar vender essas possibilidades como
benefícios, quando devem ser vendidas como uma decisão
empresarial como qualquer outra e que vai trazer pontos favoráveis e
pontos contrários. Pessoas vão gostar e pessoas vão odiar, mas nada
que uma boa conversa e comunicação com a equipe não resolva,
explicando os motivos para essa decisão.
Coworking e homeoffice sejam bem-vindos! Mas Soul Office significa
onde sua alma está, independente de local, cheia de integridade,
sensibilidade e compromisso!

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